Ex-diretora do Instituto Municipal Philippe Pinel, no Rio de Janeiro, Mara Faget é acusada de ter utilizado a própria posição de psiquiatra e psicanalista para aplicar golpes em pelo menos oito pacientes. Ela, que teve seu registro profissional cassado em 2021, teria pedido dinheiro emprestado durante consultas, alegando emergências familiares, e jamais quitado os valores. Mesmo após a cassação, ela seguiu atendendo como psicanalista em um consultório no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. como mostrou no domingo o “Fantástico”, da TV Globo.

Uma das vítimas é uma enfermeira que procurou Mara em 2014 para tratar uma compulsão por compras. Em vez de ajuda clínica, diz ter enfrentado manipulação emocional e pedidos constantes de dinheiro. Segundo a enfermeira, Mara desviava o foco das sessões para as próprias “dificuldades” pessoais, como desculpa para pedir dinheiro. A mulher chegou a pedir empréstimos bancários que somaram R$ 92 mil. Sem receber nada de volta, teve que se mudar para a casa de parentes.

“Ela dizia que o plano de saúde não cobria o tratamento do marido, que ele estava em homecare”, contou a paciente, que preferiu não se identificar.

Mensagens de texto obtidas pela reportagem do Fantástico mostram a paciente implorando para que a dívida fosse quitada. O caso resultou na abertura de um inquérito policial e no indiciamento de Mara Faget por estelionato. Em 2024, dez anos após o início da dívida, ela firmou um acordo judicial para pagá-la de forma parcelada.

Outras denúncias reforçam um padrão de comportamento. Em outro caso, a psiquiatra teria se envolvido romanticamente com a filha de uma paciente idosa e, por meio dela, obtido altos valores sob a justificativa de resolver questões ligadas à herança de um suposto marido falecido. A família estima que os prejuízos chegaram a R$ 800 mil. A Justiça determinou o pagamento de R$ 950 mil, mas, segundo os autos, a dívida não foi quitada porque não foram localizados bens em nome da médica.

Além dos prejuízos financeiros, familiares acusam Mara de ter medicado indevidamente uma paciente idosa, com um diagnóstico falso de Alzheimer. Após nova avaliação médica, foi constatado que a paciente sofria de depressão, e não demência.

Apesar da cassação do registro médico pelo Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Mara Faget continuou atendendo como psicanalista, atividade que não é regulamentada por lei. Em 2023, ela voltou a ser denunciada por usar indevidamente o nome e o carimbo de outra médica em uma receita emitida no Instituto Pinel. A Secretaria Municipal de Saúde informou que Mara não tem vínculo com a instituição desde 2018.

A jornalista Laren Aniceto, ex-paciente de Mara, decidiu investigar o histórico da psiquiatra após descobrir que ela continuava atuando irregularmente. Sua apuração, com 38 entrevistas, se transformou em seu trabalho de conclusão de curso. Ela também alega que a ex-médica emitiu recibos com CRM cassado.

“Ela falou também que o pai dela era um imigrante francês que produzia vinhos e que veio para o Brasil. Então, é, essa foi outra mentira que eu descobri, que a família dela inteira é de Bagé. Ela precisava dessa história para engrandecer a origem dela de alguma forma e que contava assim para outras pessoas”, conta.

Procurada pelo Fantástico, a defesa de Mara Faget nega todas as acusações e afirma que “as denúncias carecem de respaldo fático ou jurídico”. Também disse que ela “jamais atuou como médica sem registro” e que irá recorrer judicialmente para restabelecer o CRM.

Segundo o Cremerj, uma pessoa com o registro cassado não pode exercer a medicina nem se apresentar como médica. Caso o faça, configura-se crime de exercício ilegal da profissão.

“A gente não pode deixar uma pessoa dessas ficar impune. Tem uma frase, né, que diz que pro mal prevalecer, basta o bem não fazer nada. Então, a gente precisa denunciar”, desabafa uma das vítimas.

Fonte: Extra

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