Nos últimos dois anos, pelo menos 1222 pessoas foram picadas por escorpiões no estado do Rio de Janeiro, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Na lista, as cidades que apresentam respectivamente o maior número de acidentes registrados são: Três Rios, São Francisco de Itabapoana e Resende. Somente no ano passado, 630 pessoas foram picadas por escorpiões no estado. No início deste mês, seis indivíduos da espécie foram encontrados em Araruama, na Região dos Lagos.
São Francisco, também é um dos poucos municípios do estado do Rio de Janeiro a contar com o soro antiescorpiônico – indicado como um dos tratamentos para envenenamento causado por picada de escorpiões-, medicamento disponível no hospital Manoel Carola em Ponto de Cacimbas.
A maioria dos escorpiões é capaz de causar apenas dor e um processo inflamatório local com suas picadas. No entanto, existem algumas espécies com veneno tóxico ao ser humano, e essas são capazes de causar acidentes graves, podendo até levar à morte. É o caso do Tityus serrulatus, também conhecido como escorpião amarelo. Desde 2000 há registro do crescimento dessa espécie no estado do Rio de Janeiro, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
De acordo Rosany Bochner, doutora em Saúde Pública pela Fiocruz, o fato da população desse escorpião ser formada apenas por fêmeas, explica a sua expansão. Isso porque a reprodução do escorpião amarelo se dá por partenogênese, ou seja, quando a procriação independe da fecundação do macho.
Devido à preocupação com os riscos de acidentes envolvendo escorpiões, o Instituto Vital Brazil em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ) vai iniciar nesta quarta-feira a capacitação de agentes de saúde dos 92 municípios do estado. No curso, que será teórico e prático, os agentes aprenderão a fazer a identificação, captura e manejo desses animais.
