Policiais da 57ª DP (Nilópolis) estouraram nesta quarta-feira um call center em Nilópolis, na Baixada Fluminense, que vendia a fiéis, por telefone, orações produzidas com inteligência artificial. Segundo a polícia, o estabelecimento usava a religião para obter vantagem das vítimas, tanto do Brasil quanto do exterior, cobrando em média R$ 50 pelas orações, que eram adaptadas de acordo com a necessidade relatada pelas pessoas. No local, 35 suspeitos foram presos em flagrante, entre eles um pastor. Levados para a delegacia, eles foram liberados após o pagamento de fiança e vão responder em liberdade pelo crime de associação criminosa.

Segundo as investigações, o grupo criminoso tinha um modo de atuação previamente definido: entrava em contato com as vítimas e oferecer orações em troca de dinheiro. A abordagem dos funcionários era guiada por um roteiro, lido durante a ligação. O local funcionava com uma empresa, de acordo com a polícia: todos os funcionários tinham uma meta de ligações a serem feitas e de valores a serem arrecadados. Até o momento, estima-se que os golpistas tenham arrecadado R$ 3 milhões por ano.

Numa das folhas com orações encontradas pela polícia, o texto diz: “Deus não une pessoas, Deus une propósitos. E esse voto é a prova de que vocês está escolhendo o propósito dEle acima de qualquer emoção”. Outro texto diz: “Nunca, jamais subestime o que pode acontecer quando você ora com lágrimas sinceras”.

Depois de serem convencidas a aceitar as orações, as vítimas realizavam transferência de dinheiro por meio de Pix ou boleto bancário, cuja destinatária era a esposa do pastor. Após o pagamento, as orações eram produzidas pelos atendentes por meio de inteligência artificial e adaptadas de acordo com a necessidade relatada pelas vítimas.

— Com essa ação, percebemos que os estelionatários estão, a cada dia, diversificando o modo de agir e o público-alvo — diz a delegada Isabelle Conti, titular da 57ª DP. — E, nesse contexto, a Polícia Civil reforça seu compromisso com a população fluminense, destacando a necessidade de que as pessoas estejam alerta a qualquer tipo de investida inesperada.

Num quadro de avisos encontrado pela polícia numa das salas do call center, há uma previsão de meta a ser batida pela equipe (R$ 1.500), uma meta individual (R$ 135) e um ranking das três maiores arrecadações. Um caderno com anotações de valores arrecadados mostra que no dia 1º de outubro, por exemplo, 13 pessoas pagaram valores entre R$ 30 e R$ 50 pelas orações.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação sobre o crime de estelionato continua para identificar os demais administradores do esquema e beneficiários.

Fonte: Extra

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