Para ajudar os Correios no enfrentamento de uma crise financeira sem precedentes, o governo ampliou as possibilidades de contratação dos Correios com o setor público para aumentar as receitas da estatal. Além de alugar galpões ociosos para armazenar produtos apreendidos pela Receita Federal, os Correios poderão tratar de documentos físicos arquivados por prefeituras e governos estaduais.

Uma portaria do Ministério das Comunicações, publicada nesta quinta-feira (dia 14), traz uma gama de serviços que já estão sendo negociados pela direção da empresa e precisavam de regulamentação.

Segundo a direção da empresa, na próxima semana, o departamento jurídico da estatal terá uma ideia mais clara sobre o alcance da medida em conversas com órgãos contratantes. Mas a expectativa é que a medida possa gerar receitas de R$ 500 milhões por ano.

Há demanda em todos os estados e só faltava essa regulamentação. Estamos aumentando nosso escopo de atuação para aumentar receitas e ocupar uma ociosidade instalada, disse um integrante da diretoria.

A portaria atualiza e consolida as regras para a atuação dos Correios em áreas como logística integrada, serviços digitais, serviços financeiros e telefonia celular.

“A medida moderniza normativos antigos, acompanha o avanço da transformação digital e amplia a segurança jurídica para contratos firmados pela estatal”, diz o Ministério das Comunicações em nota.

As novas regras fazem parte do processo de modernização do arcabouço legal postal, elaborado por um grupo de trabalho, e consolida quatro portarias atualmente vigentes em um único normativo.

Crise sem precedentes

Os Correios encerraram o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Em 2024, o resultado havia ficado negativo em R$ 2,6 bilhões. A estatal acumula 14 trimestres consecutivos de rombo nas contas, sequência iniciada no quarto trimestre de 2022.

A empresa afirma que o principal gasto responsável pelo resultado do ano passado foi o pagamento de precatórios, despesas decorrentes de decisões judiciais. Além disso, a receita bruta em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, valor 11,35% menor que o registrado no ano anterior.

No fim do ano passado, os Correios conseguiram fechar um contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. O valor foi depositado quase integralmente no dia 30 de dezembro.

Para tentar driblar a crise, a empresa passa por um processo de reestruturação. Porém, uma das principais apostas da estratégia de recuperação econômica — o plano de demissão voluntária (PDV) — terminou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, segundo balanço parcial da estatal.

O número representa apenas 30% da meta de desligar 10 mil trabalhadores do quadro para economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do próximo ano. O PDV teve duração de cerca de dois meses.

Fonte: Extra

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