Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo contra 10 empresas e 8 pessoas físicas, incluindo o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
Fundado em 1981 como Banco Renner, o Digimais tornou-se um banco digital em 2020, quando passou ao controle integral de Edir Macedo. Hoje, tem foco em operações de crédito, especialmente financiamento de veículos.
Segundo as investigações, o esquema envolvia a manipulação de balanços do banco, a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas para ocultar a verdadeira situação da instituição.
O g1 pediu posicionamento ao Digimais e aguarda resposta.
Segundo a Polícia Federal, durante as investigações foram analisados relatórios produzidos pelo Banco Central do Brasil que apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição financeira.
Entenda a investigação
Ainda de acordo com a investigação, a prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas no montante de centenas de milhões de reais.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Digimais adotou práticas financeiras consideradas temerárias, análogas às do extinto Banco Master.
A PF também investiga operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, além da possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais de registro do órgão regulador.
Inicialmente, atuou como financeira e, ao longo da década de 1980, expandiu suas operações para o crédito direto ao consumidor (CDC) voltado ao financiamento de veículos. Em 1991, passou a operar como banco múltiplo (instituição financeira autorizada a oferecer vários tipos de serviços bancários sob uma mesma estrutura).
Em 2009, o empresário e líder religioso Edir Macedo tornou-se acionista minoritário da instituição.
Anos depois, em 2018, o banco iniciou sua transformação digital e, em 2020, foi reestruturado para atuar como banco digital, adotando o nome Digimais.
Atualmente, o Digimais concentra sua atuação no mercado de crédito, com destaque para o financiamento de automóveis, além de oferecer produtos voltados ao varejo, como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e fundos de investimento distribuídos por terceiros.
Em janeiro de 2025, uma tentativa de venda do controle para o empresário Maurício Quadrado, do grupo BlueBank, acabou não sendo concluída.
Embora a operação tenha recebido aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o comprador desistiu do negócio alegando deterioração das condições de mercado.
Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou a assinatura de um acordo vinculante para adquirir o controle acionário do banco.
O valor da operação não foi divulgado, e a conclusão do negócio permanece condicionada à realização de um processo competitivo, à confirmação da proposta do BTG como vencedora e à obtenção das aprovações regulatórias necessárias, incluindo as do Banco Central e do Cade.
Enquanto a negociação segue em andamento, o Digimais enfrenta desafios financeiros e de governança.
A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito da instituição para “CCC(bra)”, um nível que indica elevado risco financeiro.
Na prática, a agência avaliou que o banco tem pouca margem de segurança para enfrentar dificuldades e que, caso sua situação piore, existe uma possibilidade real de não conseguir honrar seus compromissos financeiros.
