Várias pontes na província de Hormozgan, no sul do Irã, foram atingidas na mais recente rodada de ataques dos Estados Unidos, na madrugada desta sexta-feira (17), informou o gabinete do governador, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars.
Muitas das pontes que foram alvo dos ataques situavam-se em rotas que ligam à cidade de Bandar Abbas — uma cidade costeira no Estreito de Ormuz que abriga uma base naval do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Mais cedo, a agência Fars informou que um entroncamento ferroviário em Bandar Abbas havia sido atingido. O Ministério de Energia do Irã comunicou que linhas de transmissão de energia em Bandar Abbas e nas vilas vizinhas foram danificadas, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.
Uma foto divulgada pela emissora estatal IRIB e geolocalizada pela CNN mostrou a ponte Kahurestan — que liga Bandar Abbas à cidade de Shiraz — danificada após ter sido supostamente atingida por um ataque dos EUA.
Pelo menos sete pessoas morreram e nove ficaram feridas, segundo relatos de diversos veículos de imprensa estatais.
A CNN não conseguiu verificar de forma independente as alegações do Irã e entrou em contato com o Comando Central dos EUA para obter comentários.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente atacar pontes e usinas de energia do Irã caso Teerã não retorne à mesa de negociações.
O Irã afirmou que destruirá “toda a infraestrutura em toda a região” se as ameaças forem concretizadas, o afirmou um porta-voz militar iraniano na quinta-feira (16).
“Vou deixar os alvos do setor de energia por último, mas, no final das contas, vamos atacar alvos de energia”, disse Trump em entrevista à Fox News na terça-feira (14). “Na próxima semana virão as usinas de energia, na próxima semana virão as pontes”, disse Trump, “a menos que eles venham à mesa e negociem”.
Se essas ameaças forem concretizadas, a resposta do Irã “não será apenas proporcional; será superior”, afirmou Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando central das forças armadas iranianas, em declaração divulgada pela emissora estatal IRIB.
A infraestrutura da região “será esmagada” de tal forma que “não restará nenhum vestígio dela”, acrescentou ele.
“Os ataques serão mais severos, mais extensos e mais destrutivos do que nunca”, disse Zolfaghari.
O Irã não permitirá, “sob nenhuma circunstância”, que os EUA “interfiram” no Estreito de Ormuz, continuou o porta-voz. “Essa é uma linha vermelha inegociável do Irã.”
As Convenções de Genebra de 1949, que tratam da conduta humanitária em guerras, proíbem ataques a locais considerados essenciais para a população civil.
Negociadores dos EUA haviam entrado em contato com seus homólogos iranianos para dizer-lhes que “é melhor fecharem um acordo”, disse Trump.
Na mesma entrevista, o presidente americano afirmou que os ataques ao país vão continuar até ele dizer que “já chega”. Trump afirmou que não restará “ninguém” no país caso isso não aconteça.
