Os trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado na noite de quinta-feira (dia 10), durante assembleias realizadas em todo o país, informou a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).
Segundo a Findect, a greve teve início às 22h, após a aprovação em 35 assembleias. No Acre, a deliberação está prevista para esta sexta-feira (dia 11).
A paralisação ocorre após as negociações salariais com a estatal terminarem sem acordo. Segundo a entidade, um dos principais pontos de impasse é o plano de saúde. A Findect afirma que a estatal “insiste em alterar sua condição de mantenedora do plano”.
“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, disse a Findect em comunicado publicado em sua página.
Em nota enviada ao G1, os Correios disseram que “executam seu Plano de Continuidade de Negócios, com medidas para garantir a manutenção dos serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes”.
“Entre as ações estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas para preservar a regularidade das entregas em todo o país”, diz trecho da nota da estatal.
Correios em crise
Os Correios enfrentam uma grave crise financeira. No primeiro semestre de 2026, a estatal teve um prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
No ano passado, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos para reestruturar a operação. Como contrapartida ao aval do Tesouro Nacional para a operação, a estatal deveria colocar em prática um plano de reestruturação que envolvia o fechamento de agências, a retirada de gratificação de R$ 500 para funcionários que exercem atendimento ao público e a adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas.
As medidas, porém, foram interrompidas em julho devido à ameaça de greve dos funcionários.
No início de setembro os Correios avançaram na negociação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões e enviaram a proposta para análise do Ministério da Fazenda sobre a capacidade de pagamento da empresa na semana passada. O governo federal deve ser avalista e dar a garantia para o financiamento.
Fonte: Extra
