POLÍCIA CIVIL E POLÍCIA PENAL PRENDEM ADVOGADA NA OPERAÇÃO FALSÁRIA 2
A Delegacia de Polícia Civil de Marataízes, em ação conjunta com a Divisão de Inteligência da Polícia Penal, deflagrou nesta quarta-feira (29) a Operação Falsária 2, que resultou na prisão preventiva de Tatiana Barbosa do Nascimento, 55 anos, investigada por uso de documento falso e exercício irregular da advocacia junto ao sistema prisional capixaba.
O mandado de prisão preventiva foi expedido em 28 de abril de 2026 pela 2ª Vara Criminal Regional de Itapemirim e Marataízes, nos autos do processo nº 5000540-43.2026.8.08.0069. Na mesma decisão judicial, o juízo recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo e determinou a suspensão do exercício da advocacia pela investigada, medida cautelar diversa da prisão aplicada em razão da gravidade dos fatos apurados.
A Investigação
As investigações revelaram que Tatiana forjou um certificado de aprovação no Exame da OAB datado de 1992 — 23 anos antes de sua própria graduação em Direito, obtida em 2015. Com o documento fraudado, ela solicitou remotamente à OAB seccional da Paraíba (OAB/PB), em outubro de 2017, a emissão de segunda via do certificado, obtendo assim inscrição e carteira funcional de advogada sem a devida verificação.
Consultas à Fundação Getúlio Vargas não localizaram nenhuma aprovação da investigada em exames realizados entre 2015 e 2017, e a própria OAB/PB confirmou posteriormente a fraude documental.
Atuação no Sistema Prisional e Conexão com Facções
Munida da carteira funcional fraudulenta, Tatiana realizou 218 atendimentos a internos do sistema penitenciário capixaba, majoritariamente em penitenciárias de segurança máxima. A investigada atuava como intermediária de comunicações entre presos e o mundo externo, além de protocolar procurações em processos judiciais.
Entre os custodiados por ela atendidos figuram lideranças das facções criminosas Comando Vermelho, PCV, PCC e AFC. Destaca-se que a advogada visitou o preso conhecido como “Frajola”, apontado como líder do PCV (Primeiro Comando de Vitória) no Espírito Santo — figura de alta periculosidade que foi transferido para o Sistema Penitenciário Federal em 13 de abril de 2026, evidenciando a dimensão e o alcance da rede criminosa investigada.
Prisão e Apreensões
A investigada foi presa na Avenida Rafael Vale dos Reis, bairro Campo Acima, em Itapemirim/ES, sem necessidade do uso de algemas. Foram apreendidos um aparelho celular (iPhone) e outros materiais de interesse investigativo.
Segunda Fase de uma Operação Contínua
A Operação Falsária 2 é desdobramento direto da Operação Falsária, deflagrada em dezembro de 2025 pela mesma Delegacia de Polícia Civil de Marataízes, com apoio da Divisão de Inteligência da Polícia Penal. Na primeira fase, foram realizadas buscas na residência da investigada, sendo apreendidos a carteira da OAB/PB, bilhetes oriundos de internos do sistema prisional e documentos relacionados à inscrição fraudulenta. Na ocasião, Tatiana foi interrogada e confessou a prática da falsificação documental.
A investigação, com posterior denúnica do Ministério Público e recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário culminou agora na prisão preventiva da investigada, demonstrando a efetividade do trabalho investigativo e da parceria interinstitucional entre a Polícia Civil e a Polícia Penal do Espírito Santo.
