O novo comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Thiago da Silva Pinho, falou sobre os desafios da segurança pública e as estratégias de atuação da corporação. Com experiência na própria unidade e também à frente do subcomando do 25º BPM, em Cabo Frio, o militar retorna ao 8º BPM em um momento de reorganização interna da corporação.

Nesta entrevista ele fala também sobre as estratégias de atuação à frente do batalhão e destaca a integração de todos os órgãos de segurança da região de abrangência do 8º BPM. Uma das primeiras medidas de sua gestão foi reativar o disque-denúncia. Ele substitui Tenente-coronel Renata Guedes, que ficou menos de dois meses no cargo.

O senhor assumiu o 8º BPM, do qual já foi subcomandante. Como é ser agora o comandante de um batalhão tão importante?
É um momento singular na minha carreira também. O 8º Batalhão, no qual eu já tive a oportunidade de servir como subcomandante na época sob o comando do coronel Cruz, representa muito para mim. Naquele período, em 2023 e 2024, conseguimos desenvolver um trabalho diferenciado na região. O 8º BPM engloba quatro municípios: Campos dos Goytacazes, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra. É uma área muito extensa. Se compararmos com outros batalhões do Estado, é a maior região sob o comando de um único batalhão.

Hoje a grande preocupação da população é a segurança e nesse contexto existe o medo do crescimento do tráfico de drogas. Como o senhor avalia essa situação?
 Esse é um grande desafio para a unidade. A criminalidade se intensificou em algumas regiões ao longo dos anos, mas o 8º BPM apresenta uma das maiores produtividades da Polícia Militar no combate ao tráfico. Posso citar alguns dados. Durante o período em que estive como subcomandante, em 2023, ficamos em primeiro lugar no Estado em prisões em flagrante, em segundo lugar em apreensão de drogas e em terceiro em apreensão de armas. Em 2024, continuamos liderando em apreensão de drogas e prisões em flagrante. Isso demonstra a dedicação do PM e a presença constante da corporação nas ruas. Nosso foco é marcar território com presença policial. O policial precisa estar próximo da sociedade. Essa presença traz tranquilidade ao cidadão de bem e gera insegurança para o criminoso. Além disso, precisamos atuar de forma proativa, usando inteligência, cruzamento de dados, monitoramento por câmeras e tecnologia para impedir o crime antes mesmo que ele aconteça.

Campos e a região cresceram muito nos últimos anos. Como vencer essa dificuldade de um efetivo que conta com cerca de 800 policiais?
A ferramenta para isso é a integração. Hoje nós temos uma integração muito maior com outras forças de segurança, como o Segurança Presente, a Guarda Municipal e as delegacias da Polícia Civil. Também contamos com tecnologia. Antes, havia um policiamento mais massivo, com muito mais policiais nas ruas, mas pouca integração. Hoje fazemos uma soma de esforços. Com monitoramento por câmeras, inteligência e tecnologia, conseguimos ser mais efetivos. Os resultados mostram isso. Nosso batalhão bateu recordes de produtividade nos últimos anos.

O senhor citou o Segurança Presente. Esse trabalho integrado ajuda a desafogar o policiamento do Centro e ampliar a atuação em outras áreas?
Essa parceria é muito importante porque evita sobreposição de policiamento. Quando existe integração, conseguimos dividir as forças com estratégia. Em determinados momentos o Segurança Presente atua no Centro, enquanto o 8º BPM consegue deslocar equipes para outras regiões. A Guarda Municipal também auxilia. Essa dinâmica melhora muito o policiamento.

Guarus vive uma disputa intensa entre facções, especialmente em comunidades conhecidas pelo tráfico. O que está sendo planejado para combater essa criminalidade?
Um grande avanço foi a remoção de barricadas. Essas barricadas favoreciam o domínio territorial das facções e dificultavam a entrada das forças de segurança e até de outros serviços públicos. Hoje trabalhamos muito com inteligência e tecnologia. Utilizamos reconhecimento facial, monitoramento de veículos e acompanhamento das vias de acesso. Precisamos ser cirúrgicos nas ações. Não podemos depender apenas de confrontos diretos. É necessário agir com inteligência e se reinventar constantemente.

Na semana passada uma operação conjunta desmontou um desmanche de veículos em Custodópolis, em Guarus? Isso também está no foco?
Já havíamos identificado um aumento na recuperação de veículos roubados vindos de outras regiões. A investigação apontava para a existência de um desmanche clandestino. A operação contou com a participação da Polícia Rodoviária Federal, do Centro de Controle Operacional de Campos, do 8º BPM e da nossa inteligência. Mas é importante destacar que tudo começou com uma denúncia anônima da população. Sem essa informação, talvez não conseguíssemos localizar o ponto exato do desmanche. Inclusive, uma das primeiras medidas que tomei ao assumir o batalhão foi reativar um canal direto de denúncias do 8º BPM, que estava parado há mais de dois anos.

Esse canal aproxima a polícia da população?
Exatamente. Muitas vezes os grandes sistemas de denúncia são frios. Quando a pessoa fala diretamente com alguém que conhece a região, ela se sente mais acolhida e consegue explicar melhor o local da ocorrência.

Sobre os outros municípios da área do batalhão, temos observado aumento de ocorrências em São Fidélis e também problemas em São Francisco de Itabapoana. Como está essa situação?
Já percebíamos esse crescimento em São Fidélis. Em São Francisco também houve aumento de ocorrências relacionadas ao tráfico, roubos e furtos. Por isso, já intensificamos o policiamento nessas regiões. Uma ferramenta que vem funcionando muito bem é o grupamento de motopatrulha, que traz mais dinamismo e rapidez no deslocamento. Estamos buscando ampliar esse serviço.

Existe também a previsão de uma nova estrutura policial em Guarus. Isso deve melhorar o policiamento?
Sem dúvida. A reestruturação organizacional da Polícia Militar prevê novas áreas de atuação. Isso facilita o controle territorial, melhora o levantamento de dados e permite estratégias mais específicas para cada região.

Fale um pouco de sua experiência na Polícia Militar.
São 27 anos de carreira. Já trabalhei em todos os batalhões da região do 6º Comando de Policiamento de Área. Fui aspirante em Santo Antônio de Pádua, comandei companhias em Itaocara e Miracema. Fui subcomandante do 29º BPM em Itaperuna e também servi em unidades especializadas, como o Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão. Cada região possui características diferentes e exige estratégias diferentes. A polícia precisa atuar de acordo com a realidade local.

E a Baixada Campista? A questão dos DPOs fechados. Como o senhor vê essa questão?
Existe uma redução de efetivo em toda a corporação. Alguns DPOs podem estar fisicamente fechados, mas isso não significa ausência de policiamento. As viaturas continuam cobrindo essas áreas. Se colocarmos policiais fixos em todos os destacamentos, acabamos retirando efetivo das ruas, e hoje a prioridade é justamente o policiamento ostensivo.

Existe expectativa de reabrir alguns DPOs estratégicos?
Com certeza. Isso depende da chegada de novos policiais militares. Ainda não há uma data definida, mas é uma demanda já identificada pela Secretaria de Segurança Pública.

O senhor falou do canal direto com a sociedade, se referindo ao disque-denúncia. Como usá-lo?
O número também funciona no WhatsApp. É o DDD 21, 97335-3889. Lembrar que essa é uma ferramenta muito importante para toda população ajudar a polícia e deve ser usada com responsabilidade. Vale destacar que o anonimato é uma premissa, ou seja, completamente respeitado.

Fonte: J3 News

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