Condenado por estuprar uma criança, o vereador de Vitória Orlandino Rodrigues de Souza, o Baiano do Salão (Podemos), terá a denúncia que pode levar à cassação do seu mandato incluída na pauta da Câmara na segunda-feira (20). A leitura do pedido será na sessão ordinária realizada pela Casa.

solicitação de abertura do processo contra o parlamentar, sentenciado pelos crimes de estupro e lesão corporal contra uma vítima de 5 anos, foi protocolado pela Presidência da Casa e encaminhado à Corregedoria-Geral após Baiano do Salão pegar uma pena de 31 anos e seis meses de prisão. 

Como revelou a colunista Vilmara Fernandes, de A Gazeta, os abusos e agressões contra a vítima de cinco anos ocorreram ao longo de um período de quatro meses, no ano de 2020.

Nesta sexta-feira (17), Baiano do Salão manifestou-se pela primeira vez sobre a condenação. Em carta pública, o parlamentar afirma ser inocente e diz que a condenação é resultado de perseguição política.

“Estou sendo vítima de uma grande injustiça, marcada por elementos que evidenciam uma perseguição pessoal e política, cujo objetivo é atingir minha honra, minha imagem e a trajetória que construí ao longo dos anos de vida pública”, afirma o comunicado (leia o texto na íntegra ao fim desta matéria).

Apesar da condenação, a Justiça permitiu que o vereador recorra em liberdade, sob a obrigatoriedade de utilizar tornozeleira eletrônica. O parlamentar também não foi afastado da função legislativa, para a qual se elegeu em 2024, com 2.171 votos. 

Após a leitura do pedido durante a sessão, inicia-se a tramitação na Câmara, que acontecerá da seguinte maneira:

01

Primeiro, o presidente da Casa, vereador Anderson Goggi (Republicanos), que protocolou a denúncia, será substituído no cargo em relação aos trâmites deste processo, “para garantir a lisura e a imparcialidade”. Assim, o vice-presidente, Leonardo Monjardim (Novo), atuará como presidente para todos os atos relativos ao caso.

02

Em seguida, a admissibilidade da denúncia será votada em plenário. Para que o processo seja instaurado de fato, é necessário que a maioria dos vereadores presentes seja favorável. Goggi, como denunciante, não vota.

03

Se a denúncia for aceita, será instituída uma comissão processante específica para este processo, composta por três vereadores escolhidos em sorteio. Não podem ser sorteados o denunciante, o denunciado e suplentes convocados para suprir impedimentos. Os próprios escolhidos decidirão, entre si, quem será o presidente da comissão e o relator do processo.

04

A partir da instalação da comissão, há um prazo de cinco dias para que os trabalhos sejam formalmente iniciados. Baiano do Salão será, então, notificado pessoalmente e receberá a denúncia e todos os documentos anexos. 

Notificado, o parlamentar terá até 10 dias para apresentar sua defesa, indicar quais provas pretende produzir e arrolar testemunhas (no máximo 10). 

05

O próximo passo cabe à comissão processante. O grupo deverá analisar e coletar evidências, tendo o prazo de cinco dias para emitir um parecer preliminar, recomendando o prosseguimento ou o arquivamento da denúncia. 

Caso seja sugerido o arquivamento, a decisão será votada em plenário. Do contrário, será iniciada a instrução processual, com as oitivas das testemunhas, depoimento do denunciado e demais diligências. Baiano do Salão deverá ser intimado de todos os atos com pelo menos 24 horas de antecedência.

06

Encerrada a fase de coleta de provas e oitivas, haverá um prazo de cinco dias para que o vereador denunciado apresente suas razões finais por escrito, consolidando a defesa com base nas provas produzidas. Depois disso, a comissão produzirá um parecer conclusivo e convocará uma sessão de julgamento.

07

Nesta etapa final do processo, todos os documentos serão lidos e cada vereador terá até 15 minutos para se manifestar, caso deseje. Já o denunciado terá até 2 horas para se defender em plenário. 

Após a defesa, serão votadas as infrações pontuadas na denúncia. Neste caso, poderá haver uma votação para a conduta sexual e outra para a violência física. Para que o mandato de Baiano do Salão seja cassado, é necessário que dois terços dos vereadores, ou seja, 14 parlamentares, votem neste sentido.

Todo este processo de cassação deverá ser concluído dentro do prazo máximo e improrrogável de 90 dias, contados a partir da data em que se efetivar a notificação inicial do acusado, sob o risco de arquivamento compulsório.

Pedido de afastamento

Diante dos fatos, os vereadores Luiz Emanuel e Davi Esmael, ambos do Republicanos, apresentaram à 10ª Vara Criminal da Comarca de Vitória um pedido de apreciação, “com a  máxima urgência”, do afastamento cautelar imediato de Baiano do Salão do exercício do mandato na Casa Legislativa.

Segundo a manifestação, a medida é necessária à preservação “da ordem pública, da moralidade administrativa, da dignidade das instituições, da credibilidade do Poder Legislativo e da confiança da sociedade”.

Na íntegra

Carta pública de Baiano do Salão

Venho a público, com serenidade e profundo respeito à população, afirmar de maneira clara e categórica a minha inocência em relação às acusações que têm sido divulgadas. 

Estou sendo vítima de uma grande injustiça, marcada por elementos que evidenciam uma perseguição pessoal e política, cujo objetivo é atingir minha honra, minha imagem e a trajetória que construí ao longo dos anos de vida pública. 

As provas técnicas produzidas à época dos fatos, especialmente o laudo pericial, o relatório psicossocial realizado com a criança e o inquérito policial corroboram as afirmações que sempre apresentei e demonstram a inconsistência das acusações que me foram atribuídas. Confio na justiça, confio que o reexame desses elementos será determinante para o pleno esclarecimento da verdade. 

Minha história sempre foi pautada pelo trabalho em favor da comunidade, pela defesa das pessoas mais simples e pela busca constante de melhorias para a população. Ao longo da minha vida pública, dediquei meus esforços à ajuda ao próximo, a defesa dos mais vulneráveis, ao desenvolvimento social e ao fortalecimento das ações comunitárias em benefício daqueles que mais precisam. 

Reafirmo minha confiança na Justiça e no Estado Democrático de Direito. Tenho convicção de que, ao final do devido processo legal, a verdade prevalecerá e minha inocência será plenamente reconhecida. 

Agradeço o apoio, as orações e as manifestações de confiança recebidas de familiares, amigos e cidadãos que conhecem minha conduta e minha dedicação ao serviço público. 

Seguirei colaborando com as autoridades competentes, mantendo a confiaça na imparcialidade dos julgadores, com a tranquilidade de quem sabe da própria inocência e com a certeza de que a justiça será feita.

Fonte: A Gazeta

 

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