A mãe e o irmão do rapper Oruam estão entre os presos da Operação Backbone, deflagrada agora pela Polícia Federal, para desarticular um esquema de exploração clandestina de serviços de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho, aqui no Rio de Janeiro. Márcia Gama Nepomuceno, mãe do artista e ex-mulher do traficante Marcinho VP, já está presa e levada para a sede da PF.
Lucas Santos Nepomuceno, irmão do rapper, também foi preso, mas ainda não havia chegado à unidade da PF até o momento. A Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo STF, em endereços do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das prisões é cumprida no sistema penitenciário, inclusive em unidades federais — pessoas que já estão presas, mas ainda são alvos dessa operação.
Segundo a PF, a organização criminosa impunha o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio, por meio de ameaças e violência. O grupo destruía cabos de equipamentos de empresas concorrentes, impedia reparos e obrigava os moradores e os comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção.
As empresas que operavam nessas áreas pagavam uma espécie de “tarifa” aos criminosos para continuar prestando o serviço. A exploração da internet se tornou uma das principais fontes de renda da facção. Registros contábeis do próprio grupo indicam que, num único mês, a cobrança pelo serviço de internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha, segundo a Polícia Federal.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão de atividades econômicas dessas empresas investigadas. A Anatel, inclusive, será comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interrupção dos serviços prestados pelas empresas investigadas pela PF.
Os investigados podem responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes.
A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, seguindo diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635.
