Brasília (DF), 22/09/2023 - Natália Duarte e seu pai, Ítalo, que tem a doença de Alzheimer. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os avanços recentes na medicina estão proporcionando uma esperança renovada no combate ao Alzheimer, uma das condições mais temidas pela população mundial. Com mais de 50 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo — e cerca de 10 milhões de novos casos diagnosticados anualmente —, especialistas celebram o surgimento de medicamentos capazes de prevenir ou atenuar os efeitos dessa doença devastadora.

Em Portugal, aproximadamente 200 mil pessoas convivem com algum tipo de demência, sendo que o Alzheimer é responsável por 60% a 70% dos casos, conforme dados do CNS-Campus Neurológico. A condição, descrita pela Associação Alzheimer Portugal como uma doença cerebral progressiva que leva à perda irreversível de funções cognitivas e autonomia, está entre as enfermidades mais temidas, ao lado do câncer e do AVC.

Dois medicamentos — Lecanemab e Donanemab — estão liderando a corrida pela alteração do curso da doença em suas fases iniciais. Ambos foram aprovados por autoridades reguladoras nos Estados Unidos e no Reino Unido, demonstrando resultados encorajadores em atrasar a progressão do Alzheimer. Em 2024, a Agência Europeia de Medicamentos também autorizou o uso do Lecanemab em alguns casos, embora efeitos colaterais significativos, como inchaço cerebral e hemorragias, e o elevado custo do tratamento sejam desafios a serem superados.

Portugal, porém, ainda não aprovou o uso desses medicamentos.

O professor Jeff Cummings, da Universidade de Nevada, descreve a atual conjuntura como uma “nova era” no combate ao Alzheimer. Segundo ele, os avanços na compreensão da biologia da doença possibilitam novas terapias, algumas das quais estão em fase de teste. Atualmente, 127 medicamentos estão sendo avaliados para tratar os sintomas e retardar a progressão da doença.

Cummings também destaca o potencial de novos métodos diagnósticos. A decisão da Food and Drug Administration (FDA) de permitir diagnósticos baseados em exames de sangue é um marco significativo, especialmente para regiões com menos recursos. “Abrimos a porta para entender e manipular a biologia da doença de Alzheimer para o benefício dos nossos doentes”, afirmou o especialista.

Está em curso, ainda, o desenvolvimento de tratamentos mais acessíveis. Estudos investigam a eficácia de comprimidos orais de semaglutida, uma alternativa promissora que pode facilitar o uso em larga escala, especialmente em regiões desfavorecidas.

Apesar das conquistas, a cura definitiva ainda parece distante. Pesquisadores acreditam que 40% dos casos de Alzheimer poderiam ser evitados com mudanças em comportamentos de risco, como a redução do consumo de álcool, do tabaco e da exposição à poluição.

Com o número de diagnósticos crescendo diariamente, a “doença que rouba memórias” continua a desafiar médicos, cientistas e familiares em todo o mundo. A esperança, no entanto, reside nos avanços tecnológicos e na persistência da comunidade científica em oferecer soluções que melhorem a qualidade de vida dos pacientes e retardem o impacto devastador dessa condição.

Fonte: Agência Brasil

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